domingo, maio 28, 2006

O Cordel da TV Digital

Segue o cordel que o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, leu na abertura do ano letivo da Escola de Comunicação da UFRJ. Adorei!

Cordel da TV Digital

Brasileiros atenção
pro que está acontecendo!
O País está vivendo
momento de decisão.
A nossa televisão
tá prestes a ser mudada,
e pode ser melhorada
se o povo se unir
e agindo exigir
TV democratizada.

Eu vou tentar explicar!
O Brasil tem que escolher
qual modelo de TV
deverá ele implantar
para digitalizar
a forma de transmissão
em nossa televisão.
Se escolhermos direito
será o passo perfeito
pra democratização.
É importante saber
que é pública a concessão
de rádio e televisão.
E se é assim por que
só tá na mão de um poder
e não nos braços do povo?
Mas pra nós sobra o estorvo
de não poder se escutar
de não poder se mostrar
porque eles cortam o novo.

Com a TV digital,
em um mesmo equipamento,
haverá recebimento
de um tal multicanal,
pois em um mesmo sinal
caberão quatro canais
que abertos e plurais
serão meios de expressão,
meios de transformação,
das misérias sociais.

Quem Internet não tem,
nem sabe o que é e-mail,
desfrutará desse meio
e outras coisas também,
pois a tal TV contém
tudo isso reunido,
bastando ser escolhido
o modelo ideal
pra inclusão social
do nosso povo oprimido.

É a chance da maioria
poder usar sua voz.
É o momento de nós
na mídia fazer poesia,
resgatar cidadania,
ecoar nossos anseios
gritar nossos aperreios
pro mundo todo escutar
e podermos transmutar
esses gritos em gorjeios.

Produção independente
ganhará devido espaço
e dará o grande passo
de enfim plantar semente
de uma programação decente,
bem mais regionalizada,
bem mais diversificada,
difusora de culturas,
livre de qualquer censura
a nada mais amarrada.

Mas essa realidade
tão sonhada por a gente
depende do presidente
reagir com mais verdade.
E nós, a sociedade,
entrar nessa discussão.
Que é nossa a televisão!
O ar, as ondas, a terra!
E só o que nos emperra
é tanta concentração.

O Governo Federal,
muito mal representado,
tem Ministro de Estado
um empresário boçal.
E a TV digital
importante instrumento
para o desenvolvimento
corre o risco de ficar
como sempre teve e tá
nas mãos de um poder nojento.

O tal ministro citado,
que se chama Hélio Costa,
de fato somente aposta
no monopólio privado,
neste empresariado
que recebeu concessão
de rádio e televisão
e quer se perpetuar
o único a mandar
na nossa programação.

Três modelos são usados
em países estrangeiros.
Falta agora o brasileiro
que já vem sendo estudado,
mas não é incentivado
pelo ministro Hélio Costa
que com uma conversa bosta
'só quer saber da imagem'
e do que trás de vantagem
o comércio de resposta.

Hélio já quer escolher
o modelo do Japão.
E nós, a população,
queremos comprender
por que não desenvolver
um modelo brasileiro
e trocar com o estrangeiro
a nossa experiência?
É preciso paciência
não pode ser tão ligeiro.

Nossa tecnologia
poderá desenvolver
um modelo de TV
que nos dê soberania,
impulsione a economia
pra benefício geral
e a política industrial
tomará um novo impulso,
mas é preciso ter pulso
pro sonho virar real.

E a nossa rádio querida
um meio tão genial?
Também vai ser digital,
mas já tá sendo ferida
por decisão desmedida
que em teste colocou
um modelo de cocô
lá dos Estados Unidos
que precisa ser banido
extirpado com ardor.

O tal modelo testado
pelas grandes emissoras
parece uma vasssoura
varrendo o nosso prado
querendo-nos afastados
do espectro radiofônico,
do nosso poder biônico,
de transportar nosso tom
aos ares e a Poseidon,
num ato lírico sônico.

Nossa comunicação
tá é toda atrapalhada
as leis já não valem nada,
é grande a concentração.
Os meios de produção,
são os mesmos que transmitem,
só o que os donos permitem
já que muito é censurado
e a gente fica obrigado
A receber o que emitem

Eles querem capital,
nada mais os interessa,
e vêm com uma conversa
de que querem o bem geral.
Mas só o comercial
de fato os movimenta,
e a gente não mais aguenta
tão grande desigualdade,
tão louca sociedade,
que tanto nos atormenta.

A discussão é política,
técnica e social
e nos é fundamental
uma visão mais holística,
pois não é só estatística
é cultura, educação
e nossa legislação
tem que ser remodelada
pra ficar mais adequada
à nova situação.

É hora de acordar
pois a comunicação
é troca, é interação.
Não dá mais para ficar
da forma como está
nas mãos de uma minoria
que defende a hegemonia
de cruéis monstros Globais
que se mantêm voraz
roubando nossa fatia.

Gente, comunicação
é um direito humano!
Não é somente um cano
de passar informação.
É forma de comunhão,
forma de sobrevivência,
de expressar nossa essência,
de viver com liberdade,
com mais naturalidade
e também mais consciência.

Luciana Rabelo
Fev/2006

Privacidade e Liberdade

As últimas notícias nos dão uma idéia sobre o grau de liberdade que podemos chegar na utilização das ferramentas da Internet: o Brasil acaba de fazer um acordo com o Google para retirar da web comunidades consideradas criminosas do Orkut. Defender a liberdade de expressão não significa concordar com aqueles que querem utilizar o espaço público (web) para manifestar atitudes preconceituosas, racistas e criminosas. Antes é preciso respeitar as diferenças. Esses acontecimentos devem levar a seguinte reflexão: até que ponto a decisão brasileira de quebra de sigilo abre um precedente para que qualquer um se sinta no direito de impor censura ao discurso e violar a liberdade de expressão? Fiquemos atentos às negociações.

terça-feira, maio 16, 2006

Cibercidades

Para quem se interessa pelo tema e tem muita curiosidade sobre as cibercidades, a consulta ao artigo escrito por André Lemos, pesquisador do tema, é interessante.

As cibercidades podem ser entendidas como experiências distintas que envolve a cidade, as novas tecnologias de comunicação e a informação. André Lemos cita quatro tipos de experiências. Na primeira, a cidade é representada na Web, é como um portal de informações e serviços. "Nessa categoria há inúmeros projetos, como por exemplo Aveiro Digital em Portugal, Digital City Kyoto, Japão, Blacksburg, Virginia, EUA, ou Birmingham, Inglaterra".
Na segunda, é criada a infra-estrutura, para serviços e acesso público em uma determinada área urbana para o uso das novas tecnologias de comunicação e informação. "Nesses casos, cria-se também portais que agregam informações gerais e serviços. No entanto, o objetivo principal é criar interfaces do espaço eletrônico com o espaço físico através de oferecimento de teleportos, telecentros, quiosques multimídia, e áreas de acesso e novos serviços com as tecnologias sem fio como smart phones e redes Wi-Fi" (telecentros, infocentros, etc.).
Na terceira a utilização de modelagens 3D, a partir de Sistemas de Informação Espacial, cria modelos e simulação de espaços urbanos.
Na quarta Lemos se refere ao termo “cibercidades metafóricas”, pois não representam um espaço urbano real. São basicamente sites que visam criar comunidades virtuais (fóruns, chats, news, etc.) e que utilizam a metáfora de uma cidade para a organização do acesso e da navegação pelas informações. "Nesse caso, não há uma cidade real, mas apenas a utilização da imagem e funções de uma cidade".