sexta-feira, março 23, 2007

O Ciberespaço

Segundo a Wikipédia o Ciberespaço é o ambiente criado de forma virtual, através do uso dos meios de comunicação modernos, destacando-se, entre eles, a Internet. Esse fenômeno se deve ao fato de, nos meios de comunicação modernos, haver a possiblidade de pessoas e equipamentos trocarem informações das mais variadas formas sem preocupações.
É importante se fazer uma diferenciação entre Ciberespaço e Internet. A Internet é a infra-estrutura técnica composta de cabos, fios, redes, computadores, etc., e o ciberespaço é a forma de utilizar a infra-estrutura existente.
Como o termo surgiu?
O termo surgiu com o autor de ficção científica, Willian Gibson, em 1984, no livro "Neuromancer". Foi utilizado para designar um ambiente artificial onde dados e relações sociais trafegam indiscriminadamente. Para Gibson, ciberespaço é um espaço não físico no qual uma alucinação consensual pode ser experimentada diariamente pelos usuários.
Para Levy, o ciberespaço é definido como o espaço de comunicação formado pela interconexão mundial dos computadores e das suas memórias. Constitue um espaço virtual de trocas simbólicas entre pessoas. Pode ser entendido como o espaço de troca de informação na cultura contemporânea.
Como pode ser compreendido?
Atualmente o ciberespaço pode ser compreendido a partir de duas perspectivas: a) como a rede, ou seja, como a via expressa de informação através da conexão de computadores em rede; b) como realidad virtual.
No ciberespaço expreimentamos inúmeras possibilidades do mundo real.

É um novo espaço de sociabilidade - gera novas formas de relações sociais, com códigos e estruturas próprias.
Implicações na dinâmica da vida social
No ciberespaço o espaço de fluxo realiza um processo de desmaterialização das relações sociais. Isso implica na reconfiguração do conceito de tempo e espaço, visto que, a materialidade social só existe no tempo e no espaço. Em outras épocas, espaço e lugar coincidiam em geral e a vida social realizava-se em interações presentes, face-a-face. O ciperespaço rompe com esse conceito. O tempo é marcado pela presentificação ou seja pela interatividade on line.
Outra mudança está associada, em termos geográficos, as fronteiras diluídas mas também novos espaços de sociabilidade promovidos, novos territórios, novas identidades e práticas sociais.

O ciberespaço promove LUGARES e NÃO-LUGARES

•NÃO-LUGARES
-Podem ser definidos como espaços onde não se permanece, mas se estabelece um percursos para se chegar a um destino (browsers e motores de pesquisa) – meios de transporte, aeroportos, etc.
-O endereço do e-mail não corresponde a um local determinado, mas sim a uma chave eletrônica de acesso a alguma caixa de mensagem, localizada em algum computador, em algum ponto da rede.

•LUGARES
-Definem-se no sentido antropológico, em que existe espaço para a relação interpessoal e para a organização social.
Outras mudanças estão associadas novas formas de sociabilidade que é marcada pelo anonimato.
O ciberespaço faz emergir uma socialidade que se contrapõe a uma sociabilidade do mundo real.
Além do anonimato busca-se também o desejo de não estar só.

terça-feira, março 20, 2007

Infra-estrutura técnica do virtual

Do computador ao ciberespaço

O segundo capítulo do livro Cibercultura de Pierre Levy trata da infra-estrutura técnica do virtual. Nesse sentido, ele fala da emergência do ciberespaço, fazendo um panorama da história do computador até o surgimento do ciberespaço.

Nesta abordagem Levy relembra que o computador dos anos 1945 até os anos 1960 era uma grande máquina de calcular, utilizado por cientistas e militares. Os principais acontecimentos dessa evolução são apresentados, considerando as informações que se seguem.

A mudança fundamental do processo evolutivo do computador acontece na década de 1970 com o desenvolvimento e a comercialização do microprocessador ( unidade de cálculo lógico e aritimético localizado em um chip).

É esse acontecimento que abre uma nova fase no contexto tecno-econômico-social das sociedades, com reflexos significativos na produção industrial. A produção torna-se automatizada, as máquinas industriais passam do controle mecânico para o digital, a linha de produção torna-se flexível, o uso da robótica se efetiva.

Isso exige um outro perfil do trabalhador, que deixa de executar trabalhos repetitivos e mecanizados para trabalhar com a reprogramação das máquinas, exercer maior controle na produção, entender todo o processo produtivo e não apenas da sua unidade de produção, resultando em maior conhecimento e maior qualificação para a operacionalização.

Paralelo ao desenvolvimento do microprocessador, um movimento social se apossa dessas tecnologias e inventa o Computador Pessoal (PC), na década de 70.

O computador torna-se uma máquina de uso pessoal, que pode ser usada pela homem sem conhecimento específico de informática. Assim ele se torna um instrumento de criação (texto, imagem, som), de organização (bancos de dados, planilhas), de simulação (planilhas, ferramentas de apoio e decisão) e de diversão (jogos).

Nos anos 1980 a informática funde-se com as telecomunicações, editoração, o cinema e a televisão, prenunciando a multimídia. Nessa década, já se começava a desenvolver formas mais interativas de comunicação homem-máquina ( os videogames invadem as telas do computador, surgem as interfaces amigáveis e surgem os hiperdocumentos como o CD-ROM. Observa-se nesse período a apropriação social do computador, atendendo ao movimento social "Computer for the people" iniciado pelos jovens americanos revolucionários.

No início dos anos 1990, um outro movimento social originado por jovens profissionais e universitários americanos toma dimensão mundial. As redes de computadores, já experimentadas pelos universitários, juntam-se umas às outras e cresce o número de pessoas conectadas a essa inter-rede, dando um novo curso do desenvolvimento técnico-econômico.

A partir de então um novo ambiente emerge, um ambiente de socialização, um novo espaço de comunicação, de organização, de transação, mas também novo mercado de informação e de conhecimento, o ciberespaço.

As tecnologias digitais surgiram como infra-estrutura do ciberespaço.

segunda-feira, março 19, 2007

As Tecnologias têm um Impacto?

Pierre Lévy é um filósofo francês e um pensador contemporâneo da Cibercultura. Esse título refere-se ao primeiro capítulo do seu livro "Cibercultura", discutido na FIB durante esse semestre, no âmbito da disciplina Cibercultura e Novas Tecnologias. A segur, algumas considerações sobre o primeiro capítulo.
Levy inicia o capítulo questionando a metáfora do impacto, segundo ele, errônea. Ele levanta os seguintes questionamentos:
- Seria a tecnologia comparável a um projétil e a sociedade ou a cultura a um alvo vivo?
- As técnicas viriam de outro planeta, estranhas a qualquer valor humano?
Ele nega a metáfora do impacto considerando que a tecnologia é fruto da necessidade da sociedade e justifica seu argumento afirmando que as técnicas são imaginadas e fabricadas pelos homens. A história mostra que o homem sempre desenvolveu uma relação de medo com a técnica (medo seguido de dominação). O homem passou a desenvolver objetos técnicos e artefatos para auxiliá-lo nos seus afazeres. Os objetos eram utilizados como extensão do corpo humano.
As outras considerações de Levy que fortalecem seu argumento dizem que "As técnicas carregam consigo implicações sociais e culturais bastante variadas"; e "O próprio uso de ferramentas constitue a humanidade".

A partir desse momento entende-se que não existem três entidades separadas: tecnologia, sociedade e cultura. Existe um embricamento entre elas.

A técnologia não pode ser considerada um autor autônomo, separado da cultura e da sociedade. É sim um ângulo de análise dos sistemas sócio-tecnico globais. É impossível separar o humano de seu ambiente material.
Levy afirma que por tras das técnicas agem e reagem idéias, projetos sociais, utopias, interesses econômicos, estratégias de poder e toda gama de jogos dos homens em sociedade.
Técnica e Tecnologia - definições
Apesar de manterem uma relação de parentesco TÉCNICA e TECNOLOGIA não são sinônimos.
A técnica está associada à noção do FAZER, isto é, habilidade ou arte inata ao homem.
A tecnologia une esta habilidade natural aos conhecimentos (práticos ou científicos) que foram sendo acumulados ao longo dos anos.
Portanto a técnica é o saber fazer prático. A técnica primitiva é o artesanato.
A tecnologia é o desenvolvimento da ciência na produção dos artefatos. O conjunto de artefatos é que faz a cultura.
Alguns especialistas no assunto afirmam que a técnica resolve os problemas fundamentais do homem, enquanto a tecnologia satisfaz também seus desejos (e sonhos).
O ciclo evolutivo da técnica passa pelo controle do fogo, domesticação de animais, invenção da escrita e segue bifurcações motivadas por inovações como: a alavanca, o arado, os equipamentos de força e de velocidade de animais domésticos, invenção do moinho de vento e de água, embarcações para navegar e armas cada vez mais poderosas.
"Quanto mais rápida é a alteração técnica, mais nos parece vir do externo". Essa é a sensação do impacto.
No caso do digital existe uma multiplicidade de significações e de produtos que envolvem as técnicas, como explica Levy.
O desenvolvimento das cibertecnologias é encorajado por estados que perseguem a potência em geral. É uma das grandes questões da competição econômica mundial entre firmas gigantes de eletrônica e software. Responde também aos propósitos de desenvolvedores e usuários que procuram aumentar a autonomia do indivíduo. Encarna o ideal de cientistas, artistas, ativista da rede que desejam melhorar a colaboração entre pessoas.
Outro ponto abordado por Levy é a dificuldade em se analisar as consequências sociais do uso das tecnologias digitais devido aos acelerados avanços ocorrido nos últimos anos. "Enquanto ainda questionamos [uma tecnologia], outras emergem na fronteira nebulosa onde são inventadas as idéias, as coisas e as práticas. Elas ainda estão invisíveis, talvez prestes a desaparecer, talvez fadadas ao sucesso".
Para Levy, o digital encontra-se no início de sua trajetória, mas o ritmo das transformações é muito rápido e portanto difícil de prever mudanças que afetarão o universo digital num futuro próximo.
Inteligência Coletiva
Mas apesar de tudo Levy é um otimista e enxerga um futuro promissor para a humanidade. É nesse sentido que finaliza o capítulo falando da Inteligência Coletiva. Para ele o ciberespaço é o suporte para a Inteligência Coletiva. Essa Inteligência pressupõe o estabelecimento de uma sinergia entre competências, recursos, projetos, a constituição e manutenção de memória em comum, ativação de modos de cooperação flexíveis, distribuição coordenada dos centros de decisão. Tudo isso disponível num ambiente de colaboração mútua.
A inteligência coletiva constitue um dos melhores remédios para o ritmo desestabilizante, excludente da mutação técnica. Finaliza dizendo que a inteligência coletiva é ao mesmo tempo veneno e remédio. Veneno para aqueles que dela não participa e um remédio para aqueles que mergulham ativamente e consegue controlar a corrente da inovação.