segunda-feira, março 19, 2007

As Tecnologias têm um Impacto?

Pierre Lévy é um filósofo francês e um pensador contemporâneo da Cibercultura. Esse título refere-se ao primeiro capítulo do seu livro "Cibercultura", discutido na FIB durante esse semestre, no âmbito da disciplina Cibercultura e Novas Tecnologias. A segur, algumas considerações sobre o primeiro capítulo.
Levy inicia o capítulo questionando a metáfora do impacto, segundo ele, errônea. Ele levanta os seguintes questionamentos:
- Seria a tecnologia comparável a um projétil e a sociedade ou a cultura a um alvo vivo?
- As técnicas viriam de outro planeta, estranhas a qualquer valor humano?
Ele nega a metáfora do impacto considerando que a tecnologia é fruto da necessidade da sociedade e justifica seu argumento afirmando que as técnicas são imaginadas e fabricadas pelos homens. A história mostra que o homem sempre desenvolveu uma relação de medo com a técnica (medo seguido de dominação). O homem passou a desenvolver objetos técnicos e artefatos para auxiliá-lo nos seus afazeres. Os objetos eram utilizados como extensão do corpo humano.
As outras considerações de Levy que fortalecem seu argumento dizem que "As técnicas carregam consigo implicações sociais e culturais bastante variadas"; e "O próprio uso de ferramentas constitue a humanidade".

A partir desse momento entende-se que não existem três entidades separadas: tecnologia, sociedade e cultura. Existe um embricamento entre elas.

A técnologia não pode ser considerada um autor autônomo, separado da cultura e da sociedade. É sim um ângulo de análise dos sistemas sócio-tecnico globais. É impossível separar o humano de seu ambiente material.
Levy afirma que por tras das técnicas agem e reagem idéias, projetos sociais, utopias, interesses econômicos, estratégias de poder e toda gama de jogos dos homens em sociedade.
Técnica e Tecnologia - definições
Apesar de manterem uma relação de parentesco TÉCNICA e TECNOLOGIA não são sinônimos.
A técnica está associada à noção do FAZER, isto é, habilidade ou arte inata ao homem.
A tecnologia une esta habilidade natural aos conhecimentos (práticos ou científicos) que foram sendo acumulados ao longo dos anos.
Portanto a técnica é o saber fazer prático. A técnica primitiva é o artesanato.
A tecnologia é o desenvolvimento da ciência na produção dos artefatos. O conjunto de artefatos é que faz a cultura.
Alguns especialistas no assunto afirmam que a técnica resolve os problemas fundamentais do homem, enquanto a tecnologia satisfaz também seus desejos (e sonhos).
O ciclo evolutivo da técnica passa pelo controle do fogo, domesticação de animais, invenção da escrita e segue bifurcações motivadas por inovações como: a alavanca, o arado, os equipamentos de força e de velocidade de animais domésticos, invenção do moinho de vento e de água, embarcações para navegar e armas cada vez mais poderosas.
"Quanto mais rápida é a alteração técnica, mais nos parece vir do externo". Essa é a sensação do impacto.
No caso do digital existe uma multiplicidade de significações e de produtos que envolvem as técnicas, como explica Levy.
O desenvolvimento das cibertecnologias é encorajado por estados que perseguem a potência em geral. É uma das grandes questões da competição econômica mundial entre firmas gigantes de eletrônica e software. Responde também aos propósitos de desenvolvedores e usuários que procuram aumentar a autonomia do indivíduo. Encarna o ideal de cientistas, artistas, ativista da rede que desejam melhorar a colaboração entre pessoas.
Outro ponto abordado por Levy é a dificuldade em se analisar as consequências sociais do uso das tecnologias digitais devido aos acelerados avanços ocorrido nos últimos anos. "Enquanto ainda questionamos [uma tecnologia], outras emergem na fronteira nebulosa onde são inventadas as idéias, as coisas e as práticas. Elas ainda estão invisíveis, talvez prestes a desaparecer, talvez fadadas ao sucesso".
Para Levy, o digital encontra-se no início de sua trajetória, mas o ritmo das transformações é muito rápido e portanto difícil de prever mudanças que afetarão o universo digital num futuro próximo.
Inteligência Coletiva
Mas apesar de tudo Levy é um otimista e enxerga um futuro promissor para a humanidade. É nesse sentido que finaliza o capítulo falando da Inteligência Coletiva. Para ele o ciberespaço é o suporte para a Inteligência Coletiva. Essa Inteligência pressupõe o estabelecimento de uma sinergia entre competências, recursos, projetos, a constituição e manutenção de memória em comum, ativação de modos de cooperação flexíveis, distribuição coordenada dos centros de decisão. Tudo isso disponível num ambiente de colaboração mútua.
A inteligência coletiva constitue um dos melhores remédios para o ritmo desestabilizante, excludente da mutação técnica. Finaliza dizendo que a inteligência coletiva é ao mesmo tempo veneno e remédio. Veneno para aqueles que dela não participa e um remédio para aqueles que mergulham ativamente e consegue controlar a corrente da inovação.

Um comentário:

osni lins de noronha disse...

penso que seria interessante complementar com um estudo sobre TECNOLOGIA APROPIADA (TECNOLOGIA SOCIAL ).